Você vai entrar pela porta que eu deixei entreaberta, há uma hora que eu não descolo os olhos da luz de neon do hall que se filtra como um prenúncio da tua chegada. Antes de você chegar você já chega como uma nuvem que vem na frente, antes de você chegar eu ouço tua ansiedade vindo, tua luz, teu som nas ruas, teu coração batendo mais forte porque vai me encontrar… Eu sei que minha presença te fará nervosa, tuas mãos ficam úmidas, sei que você se arrumou melhor para me ver, sabe dos vestidos que eu gosto, botou uma calcinha sexy por via das dúvidas, eu sei que você sabe que eu sei de tudo que você era e que teu único tesouro é o que eu não sei mais… mulher… por isso, teu peito dispara e você vem vindo pela rua sem ar, e você vem e você chega e entra quebrando o realismo da sala, quando você entra muda tudo, a casa fica diferente, as cadeiras se movem, os vasos de rosa voam no ar, as mesas rodam, rodam e eu começo a perder o controle da minha solidão; sozinho eu me seguro, mas você chega e eu danço, pois você sabe de mil truques para me jogar no abismo… você chega e o terrível perigo do Outro se desenha; você é um ponto de interrogação, uma janela aberta para o ar, um copo de veneno, você é o meu medo, o mar fica em ressaca, fico à beira do riso e das lágrimas, perto do céu e perto do crime, um relógio de briga começa a contar os segundos da luta, uma multidão de fantasmas de terno e gravata me assiste com o coração sangrando, perco o controle e entramos os dois num barco em alto-mar, à deriva…
Trecho do filme Eu Sei que Vou Te Amar de Arnaldo Jabor (1986). 
Assim como se arruma o guarda-roupa é preciso arrumar também o interior, jogar tudo aquilo que não presta, que não brilha, que ocupa espaço fora, abrir as vidraças do peito e deixar o sol entrar, deixar a chuva inundar, abaixar a poeira, tirar as teias de aranhas, deixar a terra pronta para novas sementes, deixar o local arrumado para novas visitas.
Felipe Bueno.
Eu sou uma pessoa excitável que só entende vida liricamente, musicalmente, em quem sentimentos são muito mais fortes que a razão. Eu estou tão sedenta para o maravilhoso que só o maravilhoso tem poder sobre mim. Qualquer coisa que eu não possa transformar em algo maravilhoso, eu deixo ir. Realidade não me impressiona. Eu só acredito em intoxicação, em êxtase, e quando vida ordinária me algemar, eu escapo, de uma maneira ou de outra. Nenhum muro mais.
Anais NIn 
Não há nada como a respiração profunda depois de dar uma gargalhada. Nada no mundo se compara à barriga dolorida pelas razões certas.
As Vantagens de ser Invisível.
Antes de curar a dor do mundo aprenda a eliminar o rancor do coração, aprenda a ser gentil, a ter atitudes porque as palavras são apenas registros de emoções momentâneas, seja a diferença, faça mais por ti, a energia se propaga, ilumine-se para iluminar, seja fonte e não fossa, não se isole, não procure a solidão, chore, lave a alma, permita-se se restaurar, seja instrumento para alegria das pessoas que lhe rodam, busque amar.
nuagedereves. 
Mas quando eu estou com você é diferente, não sei explicar, é uma felicidade tamanha que chega a faltar espaço no peito, e um amor que falta transbordar de tão grande. Você me faz bem, e toda vez que te olho sei que estou diante da melhor coisa que aconteceu na minha vida, da razão do meu sorriso e mais belos sonhos.
Aventurador. 
Eu me coloquei em segundo lugar, só pra deixar você em primeiro. Eu passei a amar menos as pessoas, pra poder te amar mais. E em todo lugar que eu ia, eu queria estar com você. Eu deixei todas as pessoas do mundo por você. Porque eu achava que você valia mais do que todas as pessoas do mundo juntas. Eu achava que você era tudo.
Robin and Stubb.
Era por volta da meia noite, achei um chip antigo meio riscado no fundo da minha gaveta, resolvi testar pra ver se ainda prestava pra alguma coisa, e pra minha surpresa ele funcionava muito bem. Comecei a vasculhar a memória e achei uma sms que tinha ficado salva, e li algo muito curioso, era de 2010, e lá dizia: “Saiba que indepente de qualquer coisa, eu estarei ai do seu lado te protegendo.” Dois anos se passaram desde então, e a pessoa que me mandou essa mensagem simplesmente sumiu da minha vida. E não era que o maldito chip prestava mesmo? Prestava pra me fazer lembrar que promessas escritas viram memórias abandonadas num piscar de olhos.
Sean Wilhelm.   
Os pássaros já haviam despertado, cantando, mas ainda estava escuro como breu. Logo as pessoas estariam se dirigindo para as autoestradas. A gente ouviria as autoestradas zumbirem, outros carros sendo ligados por toda parte nas ruas. Enquanto isso, os bêbados das três da manhã do mundo estariam deitados em suas camas, tentando em vão dormir, e merecendo esse repouso, se pudessem encontrá-lo.
Charles Bukowski, no livro “Numa Fria”. Porto Alegre: L&PM, 1993.
Eu gostava muito de você. Era tão bonito, era tão intenso. Acreditava no pra sempre. Imaginei uma casa, uma família, uma coisa só nossa. Um esconderijo, um refúgio, um paraíso. Cada vez que eu pensava em você me dava um calorzinho no peito. Cada vez que abraçava você o mundo parava de rodar por um segundo. E eu achava que aquilo era amor, achava que aquilo era o certo, achava que a gente era certo um na vida do outro. Mas não foi. Não fui. Não fomos. Não somos.
Clarissa Corrêa.  
nada que é triste é bonito. mas você se identifica. assume, põe placa, banca e etcetera. você aceita aquela tristeza. como sua. e soa bonito mesmo. mas não é. não há beleza na dor. mas gostamos de dizer. sempre digo por aí, sempre grito que isso de sentir e sofrer é particularmente e encantadoramente lindo, finito e outro adjetivo, se aparecer. faço isso. faço. tento te dar um abraço. um carinho. duas doses de afeto no lugar da tequila. mas não tem jeito, criança. sá ferida não é bonita. tentar esquecer é lembrar sem assumir. somos reféns de lembranças. é a maré. e ela vai te engolir sem beleza alguma se você deixar. se você quiser.
paris, 1992  
Amo aquilo que acrescenta, alivia, ampara e faz sorrir. Detesto indelicadeza, agressão gratuita, deboche velado e quem deixa o ambiente pesado.
Clarissa Corrêa.   
Minha crônica de hoje vai ser sobre alguma coisa. Não sei, quero falar sobre a insuficiência artística que, de certa maneira, é pior que a intelectual. Vamos primeiro tratar de dois conceitos basilares. O que é insuficiência artística? Aquele tempo que o autor, acostumado a escrever diariamente, perde seu senso de realidade abstrata e decompõe suas próprias obras com a plena falta de vontade de persistir na escrita. A insuficiência intelectual cria o ambiente para a posteriori desenvolver a artística de maneira mais gravosa. O escritor nem pensar consegue. São tudo algodões doces realmente doces, são pipas que realmente voam e crianças que realmente brincam. É aquela realidade chaveada para a TV a cabo. Fato que, para vocês leitores, a intelectual parece trazer efeitos mais drásticos e colaterais letais, se assim puderem supor. No entanto, para o autor, não pensar é melhor do que não criar. Por mais que as coisas estejam relacionadas de alguma maneira onírica, o primeiro é mais doloroso que o segundo. Um autor que não compõe também não respira, não corre, não anda, não ri, não existe, não conversa, não raciocina à sua própria maneira. Não toma café e não sente que os pássaros são fascinantes. Escrita reproduz as batidas do coração, a tinta dilui o sangue e, às idéias carmim, caem em dilúvio impróprio, averso. A poesia como forma de perversão é a moda. A estrita escrita industrial reúne a corja. Os exteriores cronistas são mais belos e intelectualizados. Bresilien diz, com todas as palavras, que somos todo fruto e instrumento das palavras.
Bresilien.