Sou
o avesso
do direito
que nunca
ei de ser.
Docismo 
Dois minutos mais

retina com retina num amor de parafina
que derrete sem cor
no banco do metrô
uma oferenda que ficou
pra nossa transa visual
e a pobreza espiritual
de amar desconhecidos
mas não me deixa não
só largo seu olhar esquecido
quando descer na próxima estação.

Ela o amava. Ele a amava também. E ainda que essa coisa, o amor, fosse complicada demais para compreender e detalhar nas maneiras tortuosas como acontece, naquele momento em que acontecia dentro do sonho, era simples. Boa, fácil, assim era. Ela gostava de estar com ele, ele gostava de estar com ela. Isso era tudo.
Caio Fernando Abreu.
Eu não deveria achar a solidão tão acolhedora.
A Hospedeira. 
Eu nunca deixo mesmo claro o que eu tô sentindo. E fica parecendo que eu não sinto. Mas é incrivelmente triste quando desistem do meu mistério.
Verônica Heiss 
Poderíamos casar, teríamos um apartamento, tomaríamos café às cinco da tarde, discordaríamos quanto a cor das cortinas, não arrumaríamos a cama diariamente, a geladeira seria repleta de congelados e coca-cola, o armário, de porcarias, adiaríamos o despertador umas trinta vezes, sentaríamos na sala de pijama e pantufas, sairíamos pra jantar em dia de chuva e chegaríamos encharcados, nos beijaríamos no meio de alguma frase, você pegaria no sono com a mão no meu cabelo e eu, escutando sua respiração.
Caio Fernando Abreu. 
Eu não preciso chorar para mostrar que estou triste. Nem gritar para dizer que sinto dor. Muito menos sorrir para Deus e o mundo para provar que sou feliz. Não preciso aparentar para ser, demonstrar para estar. Meu mundo acontece aqui dentro. E ele não é menor ou maior que o seu: é simplesmente o meu. Ele é meu com todas as letras, ele é meu em cada palavra, com todos os silêncios, com todos os incêndios. Eu ouvi meu choro, eu escutei meu grito, eu senti minha dor e eu gargalhei em paz sem precisar invadir o seu mundo com coisas tão minhas, com coisas tão lindas, com coisas tão findas que se repetem infinitamente: aqui dentro.
Eu me chamo Antônio.
Olha, eu não gosto de você. Pare de me procurar ou tentar chamar minha atenção. Eu poderia dizer politicagens como “o problema sou eu” ou “nós podemos ser amigos, se você quiser” ou “não é nada pessoal”, mas eu estaria apenas vestindo uma luva de veludo para te empurrar pra longe de mim. Eu não posso ser rude, mas também não funcionou muito bem ser sutil. Eu não gostei de você, e é extremamente pessoal.
Gabito Nunes. 
Me joguei ao mar, e lhe pedi para que levasse contigo minhas dores, minhas magoas, que me tirasse da cabeça aquela que me fazia mal, fizesse com que eu a esquecesse. Mas o mar com sua tamanha ironia, me trouxe um novo alguém, engraçado que fora 1 hora depois de meu pedido a ele. Esse aguem me fez tão bem, ela e fofa boba, engraçada e fez rir imensamente mudou muitos de meus conceitos, ela me renovou e me mostrou que para um bom amor basta a luta. Ai esse mar esse mar que me trouxe um amor ao invés de me deixar só e quieto.
Me joguei ao mar em busca de novas historias, Sergio Francce.
Felicidade não é algo obrigatório. Felicidade é algo opcional. E eu opto por ser feliz em qualquer circunstância.
Abraão Moura.
Mas o que vai te fazer falta mesmo, o que vai doer bem fundo, é a saudade dos momentos simples: da sua mãe te chamando pra acordar, do seu pai te levando pela mão, dos desenhos animados com seu irmão, do caminho pra casa com os amigos e a diversão natural.
Martha Medeiros. 
tudo é
denso
tenso
imenso
quando
penso.
Eu me chamo Antônio